O Prêmio CAPES de Tese, promovido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), é considerado a principal honraria da instituição destinada ao reconhecimento das melhores teses de doutorado produzidas no Brasil. Entre os critérios estão originalidade, relevância, metodologia, qualidade da redação, inovação e impactos decorrentes do trabalho.
A tese intitulada “Abordagem molecular aplicada ao diagnóstico da Hepatite Delta: Desenvolvimento, validação e implantação de ensaio de alta sensibilidade para quantificação da viremia e avaliação da estabilidade viral em diferentes matrizes biológicas”, de autoria de Jackson Alves da Silva Queiroz, sob orientação dos pesquisadores Deusilene Souza Vieira Dall’Acqua e Juan Miguel Vilallobos Salcedo (coorientador), da Fiocruz RO, foi um dos trabalhos premiados no Prêmio Capes de Tese 2026. O trabalho está disponível no Repositório Institucional da Fiocruz (Arca) na íntegra (acesse aqui).
O resultado da premiação foi divulgado pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) na última sexta-feira (28/08).

Jackson Alves (camisa azul) em atividade de campo na comunidade ribeirinha de Acimã, às margens do rio Purus, Lábrea-AM
Desenvolvida no Programa de Pós-graduação em Biologia Experimental (PGBIOEXP/Fiocruz RO/UNIR), a pesquisa teve como um de seus principais produtos o desenvolvimento e a validação de um método molecular quantitativo para determinação da carga viral do Vírus da Hepatite Delta (HDV). A tecnologia utiliza abordagem molecular para quantificação do material genético do Vírus HDV, permitindo identificar a presença de infecção ativa e determinar os níveis de viremia e foi incorporada pelo Ministério da Saúde ao SUS em 2024 (Nota Técnica nº 176/2024-CGHA/DATHI/SVSA/MS).
O Ministério da Saúde estabelece que, diante de resultado reagente para anti-HDV total, o exame molecular de carga viral é utilizado para confirmação da infecção ativa e para monitoramento e acompanhamento dos pacientes.
Ciência Amazônica com impacto Nacional
O reconhecimento da tese pelo Prêmio CAPES ganha relevância justamente por demonstrar o potencial de transformação da pesquisa científica desenvolvida na Amazônia. O trabalho percorreu diferentes etapas da ciência translacional: partiu de uma necessidade de saúde pública, avançou pelo desenvolvimento e validação de uma metodologia molecular, foi aplicado em ações de campo junto a populações vulneráveis e de difícil acesso e, posteriormente, alcançou a incorporação ao SUS.
Em 2026, a própria experiência de implantação do exame alcançou novo reconhecimento nacional. O projeto “Implantação e rastreamento do exame piloto de carga viral do Vírus da Hepatite D ou Delta (CV-HDV) no Sistema Único de Saúde (SUS)” conquistou o segundo lugar no prêmio “Experiências Exitosas”, do Ministério da Saúde. Segundo a Fiocruz Rondônia, a disponibilização do diagnóstico molecular ampliou a capacidade de confirmação diagnóstica, acompanhamento terapêutico e estratificação clínica dos pacientes infectados pelo HDV.
O impacto da tecnologia continua avançando. Atualmente, encontra-se em curso o processo de transferência da tecnologia para Bio-Manguinhos/Fiocruz, com a perspectiva de ampliar a capacidade produtiva, promover sua padronização em escala e contribuir para a sustentabilidade da oferta do diagnóstico no SUS.
Juliana Pavan Zuliani, coordenadora do PGBIOEXP, destacou a importância desta premiação quando o Programa comemora 25 anos de existência.
Uma trajetória construída com dedicação à formação de mestres, doutores e pesquisadores e ao desenvolvimento da ciência na Amazônia. Receber o Prêmio Capes de Tese justamente neste ano tão simbólico representa a consagração de uma história de trabalho, persistência e compromisso com a excelência científica. Na condição de coordenadora, sinto-me profundamente honrada e feliz com esse reconhecimento. É impossível não olhar para esses 25 anos e lembrar de todos aqueles que ajudaram a construir o Programa: docentes, discentes, egressos, técnicos, pesquisadores, colaboradores e instituições parceiras. Este prêmio é de Jackson e de seus orientadores, mas também se torna um marco na história do nosso Programa,
comemorou Juliana.
O trabalho evidencia uma trajetória em que a formação de recursos humanos, a pesquisa científica e o desenvolvimento tecnológico realizados na Amazônia resultaram em um produto incorporado à saúde pública brasileira, capaz de atender pacientes não apenas da região onde foi desenvolvido, mas de diferentes estados do País.
Texto e fotos: José Gadelha
